
O Campeonato Brasileiro
2013 começa neste sábado. O torneio chega à sua 11ª edição no formato de pontos
corridos e em apenas uma, na primeira, em 2003, um clube fora do eixo Rio-São
Paulo ficou com o título. O Cruzeiro iniciou essa nova fase do maior campeonato
do país, mas depois dos mineiros, apenas Santos, Corinthians, São Paulo,
Flamengo e Fluminense celebraram títulos do Brasileirão.
Um dos motivos que favorecem esta situação está na disparidade entre os
contratos de transmissão de jogos e de
patrocínios de clubes dos dois estados com os grandes de Minas Gerais e Rio
Grande do Sul, donos de sete títulos brasileiros.
Corinthians e Flamengo faturam mais de R$ 100 milhões com a TV Globo. São Paulo e Palmeiras ganham
mais de R$ 80 milhões. O Vasco, R$ 75 milhões. O Atlético-MG e Cruzeiro recebem
R$ 58 milhões. O Grêmio e o Inter, R$ 60 milhões, valores parecidos ao de
Santos, Fluminense e Botafogo. Com mais dinheiro, clubes de Rio e São Paulo
conseguem montar elencos melhores e assim suportar as 38 rodadas do
Brasileirão. A conta é simples.
Ainda assim, mesmo sem a disparidade dos valores de arrecadação, tradicionalmente sempre houve hegemonia
de clubes de Rio e São Paulo no Brasileirão. Entre 1971 e 2002, apenas nove
campeonatos foram conquistados por times de fora do “eixo”, costumeiramente
destino dos melhores jogadores por ter os clubes mais ricos do país.
Mineiros e gaúchos confiam na quebra da hegemonia do
"eixo"
Neste ano, os técnicos dos grandes clubes com condições de
desbancar paulistas e cariocas acreditam que a diferença de receita não é
determinante para o sucesso. Dunga, do Inter, aponta outras dificuldades neste
caminho.
“O Brasileiro é desgastante, principalmente, para nós gaúchos. Na Europa as
maiores viagens são de uma hora, com a mesma alimentação, com o mesmo clima e o
mesmo campo. Saímos daqui para jogar em Recife, são oito horas, fora os 30º C.
Então o desgaste físico e mental é enorme”, disse o treinador em entrevista
para a Rádio Gaúcha. O Inter não fatura um título brasileiro desde 1979.
Marcelo Oliveira, do Cruzeiro, chegou ao clube neste ano e acredita que para
surpreender os favoritos terá de trabalhar muito. "A expectativa é muito
boa, tem um horizonte aberto aí. O elenco do Cruzeiro é de grande qualidade,
gosta de trabalhar, e queremos trabalhar muito. O futebol não para. Temos que
sempre melhorar, ter ambição e buscar mais", disse ele sobre as
perspectivas para o Brasileiro e a esperança de repetir 2003.
No Atlético-MG, Cuca ainda fala em Libertadores e vai poupar titulares nas
primeiras rodadas do torneio. “Um torneio longo, em que cada rodada tem peso
igual, deve ser encarada da mesma forma desde o início. Mas é comum um time que
está na Libertadores priorizar em determinado momento”, avaliou o treinador. O
Atlético ainda carrega sua solitária estrela amarela referente ao Brasileiro de
1971, o único conquistado pelo clube.
Já o Grêmio, à espera de uma taça do Brasileirão desde 1996, caiu na
Libertadores e com um dos elencos mais caros do país, não vê outro objetivo
senão lutar pelo título nacional. Vanderlei Luxemburgo, campeão nas duas
primeiras edições do campeonato por pontos corridos, vê no torneio a única
chance de resgatar seu prestígio perdido.
“A vida segue dentro de um processo normal. Quando se perde uma competição,
ainda mais um clube que está muitos anos sem grandes conquistas, as cobranças
são muito maiores, mas entendo as cobranças da torcida e da imprensa como algo
natural. O Grêmio entra como um dos candidatos no Brasileiro, pelo elenco que
temos", disse o treinador.
Fonte: IG